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Encontro #5

Quinta edição dos encontros de Ciência Aberta no Ubalab.

Data: 08/04/2016, sexta.

Horário: das 14h às 18h.

Local: Ubalab (sede da Associação Gaivota). Rua Dr. Esteves da Silva, 147 - sl. 113 (Shopping Iperoig, Centro).

Atividades previstas para o dia
  • Mais testes com Zenodo e Dkan.
  • PeripatoTelematikos: walking, cartography and software art, apresentação do artista Greg Giannis (16h).
  • Análise e compilação das contribuições à consulta pública do SiMCiTi.


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Documentando

  • Após breve conversa com o Secretário de TI, decidimos não trabalhar na compilação do SimCiTi antes de ter a versão do texto com os comentários incorporados, que deve ser enviada na próxima semana.
  • Felipe deu as boas-vindas e contou sobre a plataforma CienciaAberta Ubatuba e os Encontros de Ciência Aberta ao casal Renato e Mara, geógrafos e professores universitários aposentados que estão de mudança gradual para Ubatuba. Eles têm interesse em educação ambiental, ficaram sabendo do encontro através da Débora Olivato.
  • Acabamos não fazendo os testes com plataformas de DadosAbertos, por falta de tempo.
Greg Giannis

Durante sua apresentação, Greg Giannis contou sobre o projeto Peripato Telematikos, que iniciou-se como uma questão em aberto por volta de 2005, quando ele estava curioso em entender novas possibilidades a partir do uso de telefones móveis. Isso foi alguns anos antes dos primeiros iphones e seus similares. Naquela época, Giannis já pensava nos telefones como dispositivos portáteis de produção de mídia.

Propondo uma relação com a ideia do caminhar na história da arte, que tem uma presença forte em particular na Inglaterra, ele queria explorar percursos urbanos captando conteúdo no caminho. De maneira que afirma ter sido quase arbitrária, decidiu então usar os traçados de rios que haviam sido canalizados em Melbourne para realizar este experimento. Afirma que foi um processo emergente, que não tinha objetivos tão claros além da própria exploração.

Giannis desenvolveu uma interface baseada em java que recebia o conteúdo por mensagens SMS ou MMS e as publicava na internet, em tempo real. Em 2008, já tendo avançado com o projeto e pensando em aplicá-lo internacionalmente, respondeu a uma convocatória do Mobilefest - festival brasileiro que investigava a relação entre tecnologias móveis, cultura e sociedade. Foi selecionado para trazer o projeto a São Paulo. Sobrepôs mapas antigos da cidade, feitos antes das obras de canalização e submersão dos rios. Passou duas semanas desenvolvendo esta instância do Peripato Telematikos. Levou um grupo de pessoas para percorrer estes caminhos (alguns anos depois, o projeto Rios e Ruas também exploraria estes traços escondidos de natureza na cidade).

O artista afirma que inicialmente não era sua intenção afirmar qualquer coisa a respeito de meio ambiente ou outra questão particular. Enfatiza a importância dessa abertura de objetivos, que chama de “processo emergente”, para ter alcançado o que conseguiu.

Posteriormente, Greg ainda desenvolveria seu projeto de doutorado a respeito do projeto (com problemas sérios em adequar o formato aberto de mindmap em uma interface quase tridimensional que permite abrir e fechar o enquadramento na informação às exigências acadêmicas de linearidade e coesão) e ainda levaria o projeto a Istambul e Havana. Confessa que adotou o Java para desenvolver a interface porque supostamente seria mais aberto e acessível a diversas plataformas computacionais, mas que enfrentou problemas por conta da certificação de servidores, entre outros problemas.

Em determinado momento nesta trajetória, ele passou três meses na Grécia, terra de seus antepassados. Neste caso, diz que passou a um processo autobiográfico profundo, que também reflete uma vertente importante da história da arte.

No diálogo com os participantes, alguns elementos foram centrais:

  • O uso da cartografia como metáfora e linguagem experimental, para além da pretensão de retratar o mundo. Felipe também compartilhou duas referências com este recorte: FIC e Tupivivo;
  • A relevância da interface que permite abrir e fechar o zoom nos conteúdos para navegar em, visualizar e lidar com grandes quantidades de dados;
  • O reposicionamento da própria cartografia, que nas palavras de alguns participantes vem tendo seu papel questionado a partir da disseminação do GPS e dispositivos com mapas digitais;
  • A riqueza do processo emergente, que não tem objetivos claros definidos de antemão - comum no mundo da arte, mas não tanto na ciência - em contraponto a mecanismos mais fechados de controle de resultados;
  • A possibilidade de utilizar ferramentas similares para uso com estudantes, já partindo do uso de smartphones e aplicativos que permitem o compartilhamento direto de mídias.

Íntegra da apresentação em áudio:

(disponível para acesso e download no archive.org.