Presentes:
O encontro reuniu veteranos do ativismo tecnológico e da cultura digital no Brasil, incluindo José Murilo, FF, Iuri, Víctor e Vince
A discussão abordou a interseção entre memória coletiva, repositórios digitais, redes livres e a apropriação comunitária de novas tecnologias.
Felipe destaca a necessidade de “modernizar o passado” e cuidar da memória coletiva para evitar o apagamento da história digital, citando o desaparecimento de plataformas antigas do governo
Utiliza a metáfora de uma bacia hidrográfica para ilustrar como devemos tratar os arquivos comunitários, combinando locais estáticos de repositório com fluxos contínuos e dinâmicos de informação
Iuri também ressalta a dificuldade histórica de preservar e extrair informações de redes sociais comerciais, que funcionam como jardins murados
José Murilo relata a trajetória do Tainacan, um software livre de repositórios que nasceu no Ministério da Cultura e foi adotado pelo Instituto Brasileiro de Museus para gerenciar acervos
Atualmente, a equipe inova utilizando o plugin ActivityPub para integrar as coleções dos museus diretamente ao Fediverso (redes descentralizadas)
Essa integração permite que as instituições façam a gestão de seus acervos longe das plataformas comerciais convencionais, que são consideradas péssimas para a memória institucional e cultural .
Vince, da Rede Mocambos, compartilha as experiências de apropriação tecnológica em territórios ancestrais, quilombolas, indígenas e rurais
Para lidar com a conectividade historicamente precária de muitas dessas regiões, eles criaram o Baobáxia, um sistema de acervo distribuído onde cada comunidade possui seu próprio servidor local, chamado de “mucua” (o fruto do baobá)
Recentemente, a rede retomou o uso do antigo e leve protocolo de mensagens XMPP para criar bots, permitindo que os usuários pesquisem e publiquem conteúdos no acervo local através de interfaces simples de bate-papo .
O grupo debate perspectivas para o uso de ferramentas de Inteligência Artificial. Felipe propõe uma alternativa ao modelo atual, no qual os chatbots funcionam apenas como assistentes individuais e subservientes
Ele sugere conectar as IAs a acervos documentais comunitários, como as 35 mil mensagens da histórica lista Metareciclagem
Isso permitiria interações com uma “entidade coletiva” formada pela história do grupo, em vez de um assistente pessoal
Iuri apoia a ideia, ressaltando que isso muda totalmente a perspectiva de uso dessas tecnologias, tirando o foco do uso hiperpersonalizado
Os participantes refletem sobre o valor das “tecnologias da roda” e da presença em círculo para o fortalecimento das comunidades
Eles expressam preocupação com o fato de que o uso isolado de IAs está destruindo o hábito de trocar ideias e fazer brainstorms coletivos em público
A conversa conclui reforçando a necessidade de continuar reinventando essas ferramentas comunitárias e conectando diferentes gerações, para que as redes livres e independentes não permaneçam excessivamente fragmentadas e sem continuidade
Infográfico do NLM:
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