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Tropixel Ciclos: Corpo e território na arte-ciência

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Resumo do Encontro: Territórios da Memória e Futuros Comuns no Boteco Tropixel

Contextualização O encontro, em 17 de junho de 2026, centralizou-se no papel da arte, ciência e tecnologia na imaginação e construção de “futuros comuns”, tema motivado pela organização de atividades para um evento sediado no Museu do Amanhã.

Arte, Ciência, Corpo e Território

Foi feita uma forte crítica à visão acadêmica e institucional tradicional, na qual a arte serve apenas de forma instrumental para legitimar ou tornar a ciência mais acessível. Em contraste, defendeu-se uma atuação de “fronteira” própria da América Latina, onde essas disciplinas transcendem os laboratórios, museus e galerias para se expandirem em direção ao corpo e ao território.

Ressaltou-se a necessidade de rejeitar dinâmicas coloniais ainda presentes no ambiente doméstico de discussão tecnológica e científica. Como alternativa, valorizou-se o reconhecimento de múltiplas realidades e temporalidades fundamentadas nas culturas tradicionais latino-americanas, que dialogam com ancestrais e com outras espécies. No âmbito dessa integração com o ambiente físico, explorou-se até mesmo o fundo do oceano como um repositório de memória, o qual guarda vestígios dolorosos da colonização em navios naufragados com pessoas escravizadas.

Memória Digital e Metodologias Feministas

O resgate da memória da cibercultura brasileira do início dos anos 2000 foi um ponto de destaque. Iniciativas recentes buscam recuperar arquivos em discos rígidos antigos e atualizar mapeamentos e plataformas de mídia tática. Esse processo de catalogação de arquivos, impulsionado por metodologias feministas, foi descrito como um ato literal de reparação de vidas públicas e privadas e como forma de tratar a memória como um legado coletivo. A meta é confrontar a lógica extrativista e individualista da internet contemporânea, revivendo princípios como autonomia, experimentação e liberdade.

A Importância do Encontro Presencial

Houve uma reflexão geracional sobre o ativismo: se no passado a tecnologia frequentemente funcionava como um pretexto para unir pessoas presencialmente em diferentes territórios brasileiros, o ativismo atual das novas gerações é muito mais voltado ao indivíduo e à tela de seus dispositivos. Para contornar cenários polarizados e de desinformação virtual, propôs-se que novas iniciativas de cultura digital voltem a priorizar e até “obrigar” encontros comunitários físicos. Projetos como cineclubes e acervos vivos comunitários foram citados como tecnologias sociais essenciais para re-significar esses materiais, debater o território (como a consciência sobre a própria bacia hidrográfica) e fortalecer os laços coletivos.

Gênero, Cuidado e Sobrecarga na Tecnologia A conversa também abordou o atual endurecimento das relações sociais e a crescente misoginia mediada por algoritmos. Foram compartilhados relatos sobre os obstáculos estruturais que mulheres e meninas enfrentam em ecossistemas de tecnologia e ciência, precisando exercer um esforço e um desgaste muito maiores do que os homens para terem suas opiniões validadas.

Além da carga intelectual, destacou-se o peso do “trabalho de cuidado”, seja o cuidado emocional de perceber o estado dos colegas ou o cuidado logístico, como ser deixada para trás limpando e organizando laboratórios coletivos enquanto outros saem. Diante dessa realidade de estresse crônico, apontou-se a urgência de retomar espaços de acolhimento e trocas exclusivos entre mulheres (como existiam no início do ativismo de software livre), além da importância do uso da comunicação não violenta para a mediação de conflitos e identificação das necessidades de todos de forma justa. O reconhecimento da importância do cuidado também se estende para a terra, dialogando com as percepções de que a natureza não é mero recurso, e sim sagrada.

Insights FF

* Cineclube como extensão territorial e corpórea do acervo * Desejo de encontro *